Seu sistema de climatização atende às normas brasileiras?
Por Jorge Neto – Ambar
Você já sentiu algum sintoma como alergia, dor de cabeça, náuseas, ardor nos olhos ou coriza ao permanecer em um ambiente climatizado? Saiba que são sintomas comuns de um sistema de climatização mal projetado. (Pesquise sobre síndrome do edifício doente).
Normalmente julgamos um bom “ar condicionado” quando não passamos calor ou frio no ambiente Porém, um bom sistema de climatização vai muito além de controle de temperatura. Um sistema bem projetado controla, além da temperatura, a umidade do ar, movimentação do ar, filtragem e até o nível de CO2.
Este último é muito interessante, pois uma alta taxa de CO2 faz com que as pessoas tenham sonolência, baixando assim a produtividade e aumentando o número de erros e acidentes de trabalho.
Segundo a ASBRAV, “através de uma simples troca de filtro, é possível perceber uma redução de até 9% no índice de conversa no ambiente de trabalho pela maior concentração de quem está trabalhando. Outros dados apontam que a redução de doenças respiratórias em um ano, por exemplo, pode representar até 37 milhões de casos a menos de gripe comum ou do tipo Influenza, o que proporciona uma economia de 21 bilhões de Euros.”
Mas como saber se um sistema é bem projetado?
Temos a NRB 16.401:2008 que especifica os parâmetros mínimos para cada ambiente, de acordo com o uso e número de pessoas. Há quem diga que a norma não é lei. De fato não é, mas sempre que uma lei cita uma norma ela adquire a mesma força da lei, e nesse caso temos a portaria 3.523 do Ministério da Saúde, que faz referência às NBR.
Quais parâmetros são regulamentados?
Um dos parâmetros especificados pela portaria é a taxa de renovação de ar por pessoa dentro do ambiente – 27m³/h por pessoa.
Essa renovação é basicamente colocar ar externo, filtrado, dentro do ambiente climatizado.
Valem portas, janelas, frestas e aberturas? Não, essa ventilação precisa ser FILTRADA, e passível de medição. O sistema que depende da boa vontade do vento não é um sistema confiável e consequentemente não garante a qualidade do ar interno. Para que atenda a especificação, o sistema deve ter um ventilador com filtro captando ar externo e jogando no ambiente, preferencialmente próximo ao equipamento de ar condicionado.
A NBR especifica uma classe de filtragem mínima para ambientes de uso comum (entenda como não sendo sua casa). A Classe mais baixa desse filtro é a G3.
O filtro G3 é um filtro de aproximadamente 1”, como representado na imagem abaixo.
Você já viu esse filtro em algum equipamento de ar condicionado tipo Split? Certamente não, pois os equipamentos Split, seja o Hi-Wall, Cassete ou Piso-Teto, possuem filtros de classe G0. Então é só trocar o filtro? Não. Esses equipamentos não têm pressão suficiente para fazer o ar passar por esse filtro. Ou seja, esses equipamentos na sua grande maioria não atendem as especificações da norma e por isso não poderiam ser usados em ambientes de uso comum, como: restaurantes, escritórios, salão de festas, entre outros*.
Edificações que possuam mais de 60.000Btu/h instalados devem ter PMOC (Plano de manutenção, operação e controle)
Toda edificação que possua equipamentos que somados passam de 60 kBtu/h devem ter um profissional/empresa habilitado para que garanta que os equipamentos e taxas de ventilação estejam de acordo com o projetado. E que, caso não estejam, sejam corrigidas.
Todo local público atende as normas?
Na sua grande maioria, não! Normalmente, Shopping Centers têm um cuidado muito grande com esse tema.
Já ambientes como escritórios, restaurantes e áreas comuns de prédios não. E muitas vezes nem sabem que existe regulação para essa disciplina.
Não temos pessoas habilitadas para realizar a fiscalização. Mas o problema não deixa de existir por não ter fiscalização, e isso é grave pois como bons brasileiros acabamos usando essa brecha como muletas para fazer o mais barato.
Em casos onde há denúncia, as entidades reguladoras contratam um especialista que faz a análise e, se constatado que está fora de norma, o estabelecimento deverá fazer todas as alterações indicadas pelo profissional. Ou seja, o barato pode sair muito caro.
O que fazer?
Contrate um profissional habilitado para fazer o projeto e coloque como premissa que a NBR 16.401:2008 precisa ser atendida. E lembre-se que isso não é regra para sua residência, mas sim para sua empresa, salão de festas, espaços gourmet e kids do condomínio. Alterações futuras sairão muito mais caras do que um projeto bem feito e dentro das normas.
Lembre-se que com o agravamento da situação de Saúde mundial, principalmente com a Pandemia do COVID-19, sistemas fora de norma podem ser um agente proliferador do problema. E se a fiscalização aumentar depois dessa pandemia, sistemas fora de norma, mesmo que antigos, deverão ser adequados.
*Algumas marcas como Daikin já possuem equipamentos que atendem.
01 Comment
Grande Jorge. Em tempos passados, essa já era uma discussão frequente, e vejo uma melhora no nível de contratação de projetos, mas ainda sutil. Espero que com a divulgação desse tipo e nível de informação, cada vez tenhamos sistemas mais adequados e bem projetados. Grande abraço e obrigado por compartilhar um pouco do teu conhecimento.