Como o conhecimento sobre a cadeia de suprimentos pode te ajudar a economizar e evitar transtornos na obra?
Por Filipe Medeiros – Ambar
Você já ouviu falar em comportamento da cadeia de suprimentos? Você já parou para pensar na importância que a cadeia de suprimentos tem para o setor de suprimentos e engenharia?
Atualmente, é comum encontrar casos em que a falta de conhecimento da cadeia de suprimentos interfere diretamente no sucesso da execução do empreendimento. Um exemplo prático é quando o projetista define, no memorial do projeto, o uso de um tubo de concreto com conexão Ponta e Bolsa, para drenagem do terreno de um condomínio de casas. O setor de suprimentos recebe a demanda e vai em busca de fornecedores. No entanto, a obra está localizada em uma região onde os fabricantes locais de artefatos de concreto trabalham apenas com tubos com conexão macho/fêmea e o fabricante de tubo Ponta e Bolsa mais próximo está localizado a 500 km de distância da obra. O comprador entra em uma encruzilhada, pois ele só tem duas alternativas: ele excede o orçamento dobrando o custo previsto, ou a equipe de engenharia readequa o projeto para o uso de tubos macho/fêmea.
O que pode ter levado a situação exemplificada acima? O projetista não tinha conhecimento de como a cadeia de suprimentos regional se comportava, e projetou de acordo com outras obras executadas na região. De qualquer forma, não interessa qual será a decisão que a construtora irá tomar, isso consequentemente irá acarretar um custo adicional à obra.
A Cadeia de Suprimentos da Construção no Brasil
Diferentemente da cadeia de suprimentos da maioria das indústrias, a indústria da construção civil apresenta uma alta complexidade. Para entender essa complexidade, basta se fazer as seguintes perguntas: qual é o ciclo de produção de uma obra? Quantos fornecedores interagem até a entrega de uma obra? Quão replicável (padronizado) é o produto (obra)? Quanto maior for o ciclo de produção e o número de fornecedores interagindo e quanto menos replicável for o produto, maior será a complexidade da cadeia de suprimentos.
O Brasil é um país continental, e por conta disso a complexidade aumenta ainda mais. As características regionais e culturais, bem como o desafio logístico, impactam diretamente no comportamento da cadeia de suprimentos.
O mapa abaixo ilustra como a cadeia de suprimentos de uma obra geralmente se comporta. Os fornecedores mais próximos da obra são aqueles que possuem vínculos mais relacionais, como varejistas e distribuidores locais. O ponto forte dessa proximidade é a flexibilidade de atendimento, além de atenderem compras menores e recorrentes. Quanto mais distante estiver o fornecedor, menor é o vínculo relacional, como por exemplo distribuidores regionais e fabricantes. No entanto, apesar dessa pouca proximidade, eles possuem melhores preços e acesso à uma gama maior de insumos, além de geralmente atenderem compras globais e menos recorrentes.
Porém, não tem como analisar o comportamento da cadeia levando em consideração apenas o fator distância. Por isso, separamos 7 fatores que você precisa levar em consideração antes de comprar insumos para sua obra:
1. Localização da obra
2. Origem da matéria prima
3. Tipo do insumo
4. Quantidade
5. Faturamento
6. Fluxo de caixa
7. Acesso
Localização da Obra
Alguns questionamentos devem ser feitos, como: onde a obra está localizada? A região onde a obra está é um grande centro urbano? Qual é o grande centro urbano mais próximo?
Essas perguntas são importantes porque suas respostas vão influenciar nos seguintes pontos:
· Disponibilidade de fornecedores na região;
· Custo do frete;
· Perfil do fornecedor.
Origem da Matéria Prima
Alguns insumos dependem de matérias primas de origem específica que também dependem de um grande volume e esforço de extração. Alguns exemplos são:
· Tipos de cimento – Ex.: CP IV – maior disponibilidade em regiões com fonte de pozolana carboníferas.
· Cerâmicas – Região de SC e SP.
· Gesso – Região de PE.
· Granito – Região do ES.
· Pedra Grês – RS.
· Tipos de madeiras e etc.
Tipo do Insumo
É muito importante que você tenha conhecimento do tipo de insumo que está sendo cotado ou comprado e entenda alguns aspectos do insumo como:
· Nível de industrialização e tecnologia.
· Insumos pouco industrializados, como commodities, possuem pouco valor agregado e o custo do frete é alto. É comum ter fornecedores locais e regionais. Ex: areia e brita.
· Em insumos muito industrializados, o custo do frete pouco impacta, pois o valor agregado do insumo é maior. Fornecedores nacionais são mais adequados. Ex: transformador e elevador.
· Peso e Volume: o peso e o volume do insumo impactam diretamente no custo do frete; quanto mais pesado, maior será o custo.
· Validade: insumos que possuem uma certa validade depois de produzidos. O exemplo mais comum é o concreto usinado.
Quantidade
A quantidade do insumo a ser comprado impacta diretamente no perfil do fornecedor e deve estar relacionada com o tipo de insumo. Mesmo os de baixo valor agregado e com muito peso, quando comprados em grande quantidade diretamente das usinas, podem implicar menor custo total, compensando grandes distâncias de transporte.
Alguns fornecedores possuem regras de quantidade mínima para compras. Essas quantidades podem estar atreladas a quantidade total ou a quantidade por insumo. Além disso, podem ter regras de quantidade relacionadas à embalagem do produto, como por exemplo blocos cerâmicos vendidos em pallets. A venda não é feita por unidade, mas por pallets e um pallet tem “x” unidades.
Faturamento
Alguns fornecedores possuem regras de faturamento mínimo para compras. Isso geralmente está mais atrelado às indústrias, que limitam a venda para clientes com maior poder de compra. Esta política é realizada para evitar a concorrência com os próprios clientes (distribuidores e varejistas).
Alguns fornecedores não faturam através de boleto para novos clientes, pois esses ainda podem não possuir histórico de bom pagador. Neste caso, só aceitam vendas com faturamento antecipado. Isso acaba inviabilizando algumas vendas.
Fluxo de Caixa
O baixo fluxo de caixa pode inviabilizar as compras planejadas e globais, o que acarreta a seguinte lógica:
· Baixo fluxo de caixa > compras pequenas ao decorrer da obra > preço maior do insumo.
· Grande fluxo de caixa > compras grandes para todas as etapas da obra > preço menor do insumo.
Acesso
Outro fator que pode influenciar no tipo de fornecedor é o acesso à obra. As obras em grandes centros, bairros antigos, favelas, obras em espaços comerciais e reformas em condomínios possuem limitações como acesso de carros e caminhões e horários de entrega.
Uso de tecnologia otimiza a gestão da cadeia de suprimentos
Como vimos no conteúdo apresentado, adquirir conhecimento sobre a cadeia de suprimentos é essencial para quem possui relação direta ou indireta com os processos de compras e suprimentos de uma construtora. Mas nem sempre é possível dedicar tempo para analisar todos estes fatores. A correria do dia a dia da obra, que envolve os processos de cotações e compras, impossibilita você ser mais estratégico e menos operacional.
Associar tecnologia a este processo faz você ganhar produtividade e gerenciar melhor suas atividades. O sistema Conaz permite digitalizar todo o seu processo de compras, da solicitação de cotação até o envio da ordem de compra. Alguns benefícios que o Conaz oferece são:
· O auxílio na seleção e prospecção de fornecedores através de tecnologia e processo focado nos 7 fatores de análise da cadeia de suprimentos;
· A realização de cobranças diárias aos fornecedores por meio de lembretes de e-mail;
· A geração do mapa de concorrência de forma automática, permitindo fazer combinações de múltiplos fornecedores;
· O envio de ordens de compra direto para o vendedor;
· A avaliação de fornecedores e vendedores;
· A gestão de dados de cotações, compras e insumos;
· Uma equipe de engenheiros com conhecimento técnico de insumos e da cadeia de suprimentos da construção civil.
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