7 passos para melhorar seu setor de qualidade para a PBQP-h: da FVS eletrônica a integração digital
Muito se fala que passar suas verificações de qualidade do papel para FVS eletrônicas é uma inovação na área de qualidade das construtoras com o selo da PBQP-h. Mas o que vimos nas construtoras que realmente querem inovar é que não basta somente digitalizar o papel para inovar (é ter resultados) de verdade.
Infelizmente é comum vermos o setor de qualidade como algo mais burocrático para obter a certificação PBQP-h. Contudo, como é uma atribuição obrigatória, por que não extrair o máximo dela para a construtora?
Por isso elencamos 7 melhorias que você deve implementar o quanto antes para extrair o máximo da área de qualidade em sua construtora.
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Ficha de verificação de serviço (FVS) eletrônica
Vivemos na era digital, mas mesmo assim é comum vermos pilhas de papéis nas obras, especialmente as fichas impressas de verificação de qualidade. Apesar de não ser uma grande inovação, é o primeiro passo de melhoria para abrir as demais portas!
Manter as fichas impressas trazem alguns riscos, como: perdê-las na obra ou escritório, sujar (deixando-as ilegíveis), ou molhar elas em um dia de chuva na obra.
Além disso, temos diversos retrabalhos gerados também: tempo de impressão e organização das fichas, tempo perdido no deslocamento obra-escritório quando esquece uma ficha, preenchimento em dobro em caso de fichas perdidas/danificadas e tempo para reorganiza-las após preenchidas.
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Disponibilidade de acesso e acompanhamento do preenchimento junto à execução
O segundo passo é você organizar o acesso às FVS (ou FIS, como alguns conhecem) de forma que as pessoas responsáveis por seu preenchimento tenham acesso a elas de qualquer lugar.
É comum que esse acesso seja pelo computador ou tablet, mas dada a popularização dos smartphones nos últimos anos, o ideal seria deixar elas acessíveis nesses dispositivos também. Dessa forma você garante que elas realmente estarão disponíveis na hora e momento certo.
Em seguida, é importante que tenha alguma pessoa responsável por acompanhar o preenchimento das fichas rotineiramente (semanal ou quinzenal no máximo). Só assim você conseguirá garantir que o maior acesso às fichas torne o seu preenchimento regular uma cultura na obra.
Caso esse acompanhamento não ocorra, você corre o risco de perder todos os ganhos que a digitalização permite, como acompanhamento efetivo e em tempo real da qualidade. E não será somente passar o papel para o mundo digital.
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Registro fotográfico (qualidade das imagens)
É comum atualmente cada obra ter um grupo no whatsapp ou outras plataformas de comunicação, onde o time de campo compartilha fotos da execução da obra e seus problemas de qualidade mapeados.
Contudo, a obra acaba, o grupo é desfeito e as fotos se perdem. Começa o próximo empreendimento e o que acontece? Os mesmos erros voltam a aparecer e os envolvidos falam “Eu lembro disso, aconteceu também no empreendimento X”.
Isso é o que acontece quando você gera uma informação mas não organiza ela da maneira ideal, você irá perdê-la e provavelmente repetirá o erro.
Também é importante manter as fotos anexadas nas FVS para que outras pessoas consigam receber a informação com imagens do problema. Por exemplo:
- Suprimentos recebe a informação que um tijolo está com problemas de qualidade, se tiver as fotos de cada critério problemático identificado ficará muito mais fácil cobrar o fornecedor.
- Um supervisor de qualidade ou de engenharia no escritório que quer ver o quão grave ou não foram os problemas apontados, com imagens fica muito mais fácil.
- Um engenheiro que irá se reunir com um empreiteiro para discutir os problemas na sua execução de serviços, caso tenha imagens fica muito melhor de explicar os defeitos e planejar uma solução.
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Visibilidade em tempo real para diretoria / gerência
Como comentado, ainda não é consenso entre as lideranças das construtoras a importância da atualização constante das FVS e não somente antes de períodos de auditoria.
Mas para quem quer mudar essa cultura, trazer uma visibilidade do processo de preenchimento das fichas e acompanhar a real qualidade das obras mesmo sem tempo de visitar elas, acompanhar frequentemente as FVS é imprescindível.
Para os que não querem entrar tanto nos detalhes, relatórios de levantamentos feitos já são de grande ajuda. Mas para isso, a informação deve estar organizada e diariamente atualizada.
Quantas não-conformidades foram apontadas na última semana? Quantas já foram resolvidas? Qual empreiteiro mais apresentou problemas? Perguntas importantes para gestores se fazerem e acompanharem com frequência.
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Padronização e análise de dados e estatísticas entre obras / terceiros / atividades
Este tópico inicia a sequência dos 3 últimos pontos e talvez os mais importantes de todos. Mas eles só serão possíveis se você já implementou todos os 4 passos até aqui.
No último tópico já foram destacados alguns insights interessantes de serem acompanhados por gerentes e diretores sobre as obras. Mas também podemos destacar o uso de dados das FVS para avaliar os empreiteiros/fornecedores e não somente critérios subjetivos.
Dessa forma, alguns dos principais indicadores para se acompanhar e as ações que podem ser tiradas deles são:
- Taxa/Número de não-conformidades e reinspecções por empreiteiros, para sua avaliação e decisão de recontratação ou não para outra obra.
- Quais serviços/atividades mais apresentam problemas de qualidade, aprendendo com os erros de uma obra e evitando replicá-los na próxima.
- Quantos % das FVS de um serviço ou da obra já foram preenchidas, garantindo que as FVS estão sendo preenchidas regularmente.
- Qual obra apresenta mais não-conformidades, para permitir um plano de ação e cobrança mais próxima junto ao engenheiro(a) responsável pela obra.
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Vínculo direto com a medição / pagamentos dos empreiteiros
Quer ter certeza que a cultura de aferir a qualidade está disseminada na construtora? Coloque a verificação de qualidade como um critério para a medição e liberação de pagamento de empreiteiros.
Operacionalizar isso é difícil e complexo, dado que o próprio processo de medição de empreiteiros “convencional” já é difícil. A dica aqui é buscar soluções tecnológicas que possibilitem isso, seja planilhas com robustez de automações ou ferramentas com esse foco, como o Eva.
Mesmo desafiador, os resultados podem ser inimagináveis assim que alcançados. Além do próprio empreiteiro “cobrar” as verificações de qualidade (reforçando o ponto 2), também fará com que a cultura de qualidade chegue até a ponta, em quem está literalmente colocando a mão na massa.
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Vínculo com softwares de cronograma físico para acuracidade das informações de avanço da obra
Por fim, chegamos ao ponto de usar a verificação de qualidade no seu ápice de importância no processo construtivo: como um último passo da execução. Seria como se a execução fosse subdividida em 2 passos, um de avanço físico e posteriormente aferição de qualidade.
Assim você terá certeza que não somente a execução dentro do prazo está sendo feita, mas também a medição do nível de qualidade da entrega. Desta forma você evitará e muito problemas futuros acarretados por execuções de serviços mal feitos.
Também fará com que todos os passos anteriores, do 1 ao 6, sejam mais bem aproveitados, com maior garantia de qualidade da obra e dados gerados com mais confiança e agilidade. E por fim, fará com que sua equipe busque a melhoria contínua de todos esses passos e da execução das atividades, dado que será um processo enraizado no dia a dia de obra e com uma cultura forte de qualidade e evolução.
Conclusão
Este passo a passo não é algo criado baseado somente em teoria ou ideias impraticadas, mas sim de construtoras (ainda poucas) que já aplicam na prática todos esses passos e que estão evoluindo rápido e crescendo em ritmo acelerado.
É importante reforçar que não é fácil chegar lá, pois demanda mudança de processos e uma cultura forte, mas a tecnologia pode ajudar (e muito) a facilitar esse processo. O certo é que os resultados com toda certeza valerão a pena após a consolidação destas melhorias.
