Orçamento de obra: Um bicho de 7 cabeças?
Por Jaqueline Palomar – Ambar
Orçamento. Um item tão comum nas empresas, com didáticas diferentes dependendo do segmento das mesmas, porém, essencial para todas.
Quando falamos em orçamento logo pensamos em valor, em custo; é meio que automático pensar que o orçamento nos dá o valor de algo que desejamos ou procuramos, porém, quando falamos em construção civil, há vários outros aspectos que devemos considerar quando ouvimos “orçamento”.
Para o setor da construção civil, em específico para as construtoras, o orçamento não entra como simplesmente um indicativo de custo, mas também como termômetro de situação e um parceiro na tomada das decisões.
1) Planejamento
Um exemplo prático é o uso do orçamento para indicar se uma obra pleiteada pela construtora está dentro do praticável para a mesma: nem todas as obras são de alcance ou são viáveis economicamente para todas as construtoras, pois cada uma tem sua particularidade, e com a ajuda do orçamento é possível ter uma visão mais clara se o objeto de desejo (obra) é possível.
Quando temos um orçamento bem elaborado, conseguimos enxergar nossas margens de lucro e frisar nas variáveis de custos que podemos ter ao longo da obra – onde muitas vezes, quando temos gastos maiores do que previstos nas variáveis, tal valor acaba por sair do nosso lucro.

2) Termômetro
Em parte de termômetro, o orçamento nos ajuda no decorrer da obra a conferir se o executado está saindo como o planejado, se estamos conseguindo aplicar os valores orçados, ou se por algum motivo, estamos saindo do valor previsto – isso tanto para lucro, tanto para prejuízo.
Dito isto, entramos em outra questão importante sobre o orçamento: assim como a obra é viva e mutável, o orçamento também é! Ele deve acompanhar a obra do início ao fim, e sempre devemos remeter a ele quando há alguma alteração no projeto, ou quando o nosso gasto está saindo fora do planejado. O orçamento também deve ser sempre atualizado, para nos ajudar a medir como está o andamento da construção, bem como, o orçamento inicial servirá de comparativo no final da obra com os reais valores gastos, e tudo isso serve de banco de dados para a construtora.
3) Um bom orçamento
Mas quais são os passos para um bom orçamento? Primeiro devemos ter bem claro que o orçamento é um produto final, onde consideramos material, quantidades, mão de obra e insumos para fornecer um custo dos serviços em conjunto. Logo, há sempre dúvidas do que é cotação e do que é orçamento, onde a primeiro momento parecem ser a mesma coisa, mas que na verdade, a cotação nada mais é que uma parte do orçamento.
É preciso cotar para poder orçar! A cotação é onde descobrimos o custo dos itens que serão necessários para elaborar o orçamento, ou seja, é onde encontramos o valor do saco de cimento que será utilizado na obra, e dentro do orçamento esse valor do saco de cimento agregado com outros fatores e insumos vai nos resultar no valor do m³ do concreto, por exemplo.
4) Plataformas digitais
Há plataformas que nos auxiliam com a cotação, nos dando acesso a lista de valores dos itens e dos fornecedores. Esse é um grande passo para quem atua no ramo de orçamentos, pois a cotação além de ser uma parte muito importante, também leva um tempo considerável para ser feita do modo habitual – solicitando por e-mail, telefone, etc. os valores para fornecedores que nem sempre nos respondem – e com o auxílio dessas plataformas de cotação, temos uma redução de tempo nessa etapa, além de trazer facilidade e praticidade. Também temos plataformas que conectam nosso orçamento com o planejamento de longo prazo tornando visual e de fácil adaptação para criação de cenários diferentes para a obra.

Falando em facilidade, um assunto está sendo muito comentado, crescendo a cada ano e lutando pelo seu espaço, que é o conceito BIM – Building Information Modeling. Muito se diz por aí que com o uso dessa ferramenta consegue-se extrair quantitativos com um clique. Pois bem, não digo que quem diz isso está totalmente incorreto, é sim possível extrair um quantitativo de um modelo BIM.
O ponto principal é: quais as etapas que temos que realizar até chegar ao ponto da extração desse quantitativo? Há muitas diretrizes a serem aplicadas em um modelo, como também, é necessária uma integração entre as planilhas de custos de obras oficiais que devem ser levadas em consideração, e que até o momento pouco se vê. Também é importante frisar a qualidade do modelo BIM, onde se o mesmo não estiver coerente, nos fornecerá um quantitativo errôneo.
O BIM com certeza vem para auxiliar e ajudar a construção civil a seguir para um novo patamar de evolução, porém temos que ter em mente que ele não é o salvador da pátria, e que quando tratamos do assunto “construção”, isso engloba várias partes que resultaram em um produto final.
Para finalizar, fica a provocação sobre o tempo investido no orçamento com o que realmente importa e gera resultado. Tenho certeza que ficar cobrando e-mail e organizando-os por obra não sejam tarefas que agreguem lucro ao produto. Sendo assim em uma visão Lean: tarefas que não agregam valor devem ser automatizadas.
Conheça algumas soluções que podem te auxiliar na tomada de decisão no que se refere à orçamentos.
Prevision – Gestão eficiente de Obras
Conaz – MarketPlace da construção