*Por Felipe Canuso
Lean Construction ou simplesmente construção enxuta. Essa é a tradução literal do conceito que aplica a mentalidade enxuta (Lean Thinking) em gerenciamento de projetos de obras. A construção enxuta foi desenvolvida a partir de teorias de outros ramos de produção, entre elas a ideia do Just in Time (JIT) e do Total Quality Management (TQM), que são sistemas de administração da produção que determinam que nada deve ser produzido, transportado ou comprado antes da hora certa.
A metodologia do Lean foi inicialmente desenvolvida pela Toyota na década de 1980 para tornar mais ágil a produção de automóveis no Japão. Abrange toda a cadeia de valor, incluindo os fornecedores de matérias primas e componentes, com o objetivo de reduzir perdas e desperdícios e ter um fluxo contínuo desde a concepção da ideia até a entrega ao cliente, com qualidade. Tudo isso resulta em aumento da produtividade, redução de custos e manutenção do cronograma.
Em 1992, Lauri Koskela trouxe o Lean para o ambiente da construção civil, adaptando seu uso e princípios para a realidade da gestão de um canteiro de obras. Isso porque, é preciso levar em conta que no setor o local da ‘linha de produção’ muda a cada empreendimento, a mão de obra nem sempre é a mesma e quase não há repetitividade de projetos.
No entanto, mesmo com desafios diferentes, as vantagens da aplicação precisam ser consideradas – inclusive muitas construtoras já adotaram o sistema para obter certificações, como a ISO 9000. Veja por que!
Lean construction para reduzir custos, aumentar a produtividade e dar mais qualidade à obra
Koskela estabeleceu 11 princípios para o Lean Construction como forma de proporcionar uma mudança no sistema tradicional. De maneira geral, todos eles alteram a forma como os processos produtivos são abordados para:
- Otimizar as tarefas, que passam divididas em um menor número de unidades (lotes menores);
- Reduzir o ciclo da produção;
- Eliminar etapas que não agregam valor e não são necessárias;
- Evitar retrabalho e tempo de espera;
- Organizar o fluxo de materiais.
Para isso, se faz necessário um maior uso da mecanização, da industrialização e de componentes modulares, que permitem que as atividades sejam controladas e racionalizadas de ponta a ponta. O resultado é uma produção contínua e precisa, e operações de montagem com agilidade e eficiência muito superior à construção tradicional.
Vale lembrar que o setor da construção aqui no Brasil ainda encontra dificuldades para alterar o modus operandi e dar maior padronização e escala às obras. Assim, aplicar o Lean Construction é uma boa oportunidade para mudar o paradigma atual na gestão de projetos de obras.
Vamos elencar então as principais vantagens do Lean Construction:
- Tornar o canteiro de obras mais produtivo (redução de atividades desnecessárias e padronização das etapas);
- Ter serviços mais rápidos e manter o cronograma (redução de tempo de ciclo);
- Acabar com o desperdício de materiais;
- Identificar riscos e falhas de projeto e execução com antecedência , possibilitando uma correção prévia e rápida;
- Melhorar o resultado final, proporcionando um aumento na qualidade dos empreendimentos e no nível de satisfação dos clientes.
Aplicações na prática
Tudo pode ser melhorado com o uso do Lean Construction, especialmente quando falamos de aspectos operacionais.
A logística e a cadeia de suprimentos ganham excelência desde a compra e transporte de insumos até a disponibilização da quantidade de materiais e componentes necessária e suficiente nas frentes de produção para que não haja paralisação ou espera.
Já para a execução da obra, pode-se ter processos construtivos padronizados, reduzindo ao máximo a necessidade de gerenciamento in loco para atividades simples (pelo planejamento eficaz do processo de produção; e também a disponibilidade de mão-de-obra, especialmente em tarefas complexas como a de montagem de estruturas e instalação de componentes, sem abrir mão da qualidade. Um exemplo deste último aspecto é o uso de blocos pré-fabricados em estruturas ou de sistemas industrializados de instalações elétricas e hidrossanitárias. Isso evita retrabalho, perda de tempo, desperdício de materiais e custos adicionais.
Para saber mais sobre inovação e transformação da jornada construtiva, continue acompanhando o blog da Ambar.