Saiba como a digitalização no canteiro de obras reduz custos e tempo
A gestão do canteiro de obras é fundamental para o sucesso do empreendimento ao estabelecer maior organização na gestão da rotina diária das frentes de serviço. Isso porque, é ela que garante o cumprimento dos prazos e melhor utilização dos recursos.
Este gerenciamento deve iniciar ainda na fase de planejamento e concepção de projeto, e ganha corpo com a execução da obra propriamente dita. Outro ponto de influência de uma boa gestão do canteiro de obras é a orientação do setor de suprimentos, na aquisição de produtos em conformidade com o especificado no projeto, de boa qualidade e por um preço competitivo; além de acompanhar o fornecimento e o armazenamento de materiais e serviços para garantir entregas sem atraso.
Portanto, para a Construção Civil, implementar um modelo eficiente de gestão do canteiro de obras é fundamental para reduzir custos e prazos e impactar positivamente na qualidade final do projeto. A grande questão é que o setor ainda é um dos menos digitalizados, onde grande parte das construtoras e incorporadoras no país orienta seus processos de forma analógica, sem integração e inovação.
É verdade que a transformação digital está a caminho. As chamadas Construtechs, empresas e startups que produzem soluções tecnológicas para a cadeia produtiva da construção civil, são as grandes responsáveis pelas mudanças – só no Brasil, já existem mais de 260. É por meio das inovações trazidas por elas que se pode ganhar eficiência, precisão e integração em várias frentes de negócios e, inclusive, na gestão do canteiro de obras.
Tecnologia dá eficiência à gestão do canteiro de obras
Como falamos, a gestão atual na Construção Civil ainda é analógica, mesmo que se faça uso de alguns documentos digitais. Neste modelo, os processos são baseados em muitas horas de mão de obra indireta para coleta das informações em campo (muitas vezes em papel), consolidação dessas informações em planilhas de Excel e, posteriormente, o lançamento dos dados em softwares de gestão (ERPs) mais antigos, genéricos, e com pouca customização para a realidade operacional da obra.
Porém, com a chegada das Construtechs, o mercado está repleto de soluções inovadoras e já disponibiliza para uso diferentes softwares e aplicativos para otimizar as atividades, economizando tempo e reduzindo custos. Estas ferramentas ajudam no acompanhamento online e integrado da obra desde a concepção do empreendimento, com a compatibilização de projetos, passando pela realização de orçamento detalhados, compras e controle de suprimentos, gerenciamento de equipes, a geração de relatórios de resultados, entre outros recursos de maneira rápida e sem erros.
Algumas destas soluções, inclusive, se tornam alternativas mais eficazes e seguras para lidar com situações burocráticas, como o controle de contratos com funcionários, terceirizados, escritórios de engenharia e outras empresas de serviço que atuam na obra. Tudo isso de forma integrada e compartilhada, aumentando a transparência das operações. Ou seja, vamos muito além das planilhas e dos ERPs.
No entanto, é preciso sempre reforçar a questão da integração. Isoladas, estas soluções, por mais tecnológicas e inovadoras que sejam, não garantem eficiência. A conexão da informação deve estar presente durante toda a jornada para se ganhar inteligência e agilidade na tomada de decisão, especialmente durante a execução da obra. Sabemos que neste ponto, qualquer falha e retrabalho geram altas despesas, que atrasam o cronograma e pesam no orçamento inicial – por vezes, até inviabilizam por completo o andamento da obra.
Plataformas integradas para conectar a cadeia construtiva
A grande solução neste contexto é o BIM (Building Information Modeling) como integrador das etapas da jornada – desde que ele seja utilizado já na concepção do projeto. A tecnologia atua em várias frentes: constrói virtualmente o empreendimento por meio de um modelo BIM 3D, facilitando a compatibilização ao simular cada etapa da construção com a perspectiva final da obra. Também permite fazer o vínculo dos elementos do projeto representados no modelo à quantificação de insumos e serviços, dando precisão e previsão a compra de materiais (aqui pode-se interligar com um marketplace de compras digital) e contratação de mão de obra e informando o que deverá ser usado e em qual sequência produtiva.
Para a gestão do canteiro de obras ser ainda mais eficiente é possível usar os dados do BIM para o estabelecimento de processos estruturados e automatizados, que permitem que as atividades no canteiro se tornem uma linha de montagem, com sequência precisa, previsível e controlada. A gestão do dia a dia da obra ainda pode ser feita em tempo real, usando um aplicativo mobile, que repassa aos responsáveis as etapas a serem realizadas e também permite o registro de informações do andamento da execução. Assim, é possível manter a ordem das tarefas, o cronograma e evitar retrabalhos.
Portanto, quando há uma gestão de fato digitalizada, com informações estruturadas e centralizadas, além de eficiência, controle e precisão, ganha-se transparência e segurança para a execução de um empreendimento. Também ganha-se a possibilidade de análises preditivas, por meio da formação de um repositório de dados para dar base a futuros projetos, evitando retrabalhos, atrasos e custos desnecessários. Isso sem falar da liberação da equipe para se dedicar às atividades que agregam valor à organização, aumentando a produtividade e a competitividade da construtora.
Para saber mais sobre a digitalização na Construção Civil, complemente o aprendizado com a leitura dos artigos Compra preditiva: tecnologia aprimora logística de suprimentos da obra e Os impactos do BIM para redução de custos da obra.